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| O curador e designer Daniel Lima interpretando a obra "Mulheres de Jinwar" de André Felipe Fidelis para famílias visitantes da exposição Soul Arte 2024 no Piauí Shopping em Picos-PI |
Mesmo após a rápida ascensão da inteligência artificial nos meios artísticos a partir de 2021, alguns artistas regionais seguiram na contramão da automatização estética, abraçando um experimentalismo mais orgânico, mais humano e deliberadamente menos mecânico, foi nesse contexto que se consolidou aquilo que passei a chamar de Pós-Impressionismo Onírico: uma linguagem que dialoga com as bases técnicas de Van Gogh, atravessada pelo onirismo simbólico de Austin Osman Spare, somada a uma visão crítica sobre guerras, urbanismo e a progressiva alienação do sujeito moderno.
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| Temporadas 21-23 |
Nessa proposta, o “interior luminoso” substitui a paisagem urbana e industrial. O que se revela são territórios interiores, rurais, galácticos ou abstratos espaços mentais e sensíveis que existem à margem do maquinário digital e de suas lógicas de reprodução infinita. - André Felipe Fidelis
Minha primeira obra data do período pré-escolar, por volta de 2004, embora hoje eu reconheça a importância daqueles garranchos instintivos, não os levo muito em conta como produção consciente, o primeiro quadro que considero de fato nasceu em 2016, quando eu tinha 18 anos, lembro com clareza do desgosto que senti ao finalizá-lo: odiei o resultado e, num gesto impulsivo, joguei fora tanto a pintura quanto os materiais usados para criá-la.
Curiosamente, esse tipo de erro se repetiu ao longo dos anos. Queimei obras, doei sem atribuir valor, vendi por preços irrisórios sempre preso a um ciclo de inspiração vã e autossabotagem. Estimo ter perdido o registro de pelo menos 25 das cerca de 50 obras que produzi: uma taxa de perda de quase 50%. Parte delas repousa hoje em uma biblioteca do interior de Minas Gerais; outras, com carinho, em casas humildes; algumas, sabe-se lá onde, talvez com pessoas que já se foram. A pior parte? Não registrei essas obras em fotografia. A melhor? Guardo a vaga, porém sincera, lembrança de tê-las amado enquanto as pintava.
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| Temporadas 24-25 |
Felizmente, cerca de 21 quadros foram preservados no tempo, em muitos casos, não recordo a data exata de sua produção, mas as referências temporais que apresento são fiéis às minhas memórias, todas essas obras foram realizadas por meio de processos criativos distintos, ainda que compartilhem a mesma técnica de pincelada rápida: uma tentativa de manter a forma do que é reconhecível, ao mesmo tempo em que o transformo em algo onírico e simbólico.
Trata-se, essencialmente, de reorganizar sonhos e visões de maneira impressionista fundindo paisagens reais e inexistentes, luz e sombra sem direção definida, mas que se entrelaçam, um gesto pictórico que não busca representar o mundo como ele é, e sim como ele insiste em reaparecer quando fechamos os olhos.
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| 2021 - Pedro Anda Sob As Águas (Doado) |
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| 2021 - Praça de São João do Baguari, Minas Gerais, Brasil (Doado) |
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| 2022 - Autorretrato (Vendido) |
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| 2022 - Superação da Morte Mediante as Vias Estelares Férteis (Vendido) |
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| 2022 - Universo Mar Cerúleo em Fundo Escuro Perpétuo do Espaço (Vendido) |
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| 2022- Balão do Ventre Fecundando no Firmamento Azul (Vendido) |
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2022 - Duas Grandes Galáxias, Duas Grandes Árvores, Dois Grandes Sóis (Doado)
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2023 - Estrada Para o Céu Caótico (Vendido)Os nomes dos quadros apresentados não funcionam apenas como títulos identificadores, mas como extensões conceituais da própria obra, eles operam quase como pequenos poemas, portais semânticos que antecedem a imagem e já colocam o observador em estado de contemplação, deslocamento e sonho.
Os nomes revelam uma forte inclinação ao onirismo cósmico e metafísico. Expressões como “Universo Mar Cerúleo em Fundo Escuro Perpétuo do Espaço”, “Superação da Morte Mediante as Vias Estelares Férteis” ou “Estrada Para o Céu Caótico” indicam uma busca por narrar aquilo que não é imediatamente visível: estados de espírito, transcendências, passagens entre vida, morte, matéria e imaginação, o vocabulário astronômico, espacial e natural sugere que o macrocosmo é usado como espelho do universo interior.
Outro aspecto marcante é a convivência entre o íntimo e o grandioso.
Títulos como “Autorretrato”, “Um Zoom na Mata” ou “Terreno Interiorano Aleatório, Qualquer Canto” trazem o olhar para o particular, o cotidiano e o pessoal, enquanto outros expandem para escalas míticas e universais, essa alternância reforça uma poética onde o sujeito e o cosmos não estão separados, mas interligados.
Há também uma dimensão simbólica e narrativa muito forte, obras como “Mulheres de Jinwar” e “Ponte Para a Luminosa Inconsistência Temporal” sugerem não apenas imagens, mas histórias, contextos sociais, políticos ou filosóficos, o título passa a ser um convite à interpretação ativa, quase uma legenda aberta que não explica, mas provoca.
Alguns takes bônus. \o/
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